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domingo, 22 de novembro de 2009

Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo




A celebração da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, fecha o Ano Litúrgico onde meditamos, sobretudo, no mistério da sua vida, pregação e anúncio do Reino de Deus.

Durante o anúncio do Reino, Jesus mostra-nos o que este significa para nós, como Salvação, Revelação e Reconciliação, ante a mentira mortal do pecado que existe no mundo. Jesus responde a Pilatos quando este Lhe pergunta se, na verdade, Ele é o Rei dos Judeus: "Meu Reino não é deste mundo. Se meu Reino fosse deste mundo, meus súbditos teriam combatido para que não fosse entregue aos judeus. Mas meu Reino não é daqui" (Jo 18, 36). Jesus não é o Rei de um mundo de medo, mentira e pecado, Ele é o Rei do Reino de Deus, que traz e ao qual nos conduz.

Cristo Rei anuncia a Verdade e essa Verdade é a luz que ilumina o caminho amoroso que Ele traçou, com sua Via Crucis, para o Reino de Deus. "Tu o dizes: eu sou rei. Para isso nasci e para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Quem é da verdade escuta a minha voz." (Jo 18, 37) Jesus revela-nos a sua missão reconciliadora de anunciar a verdade ante o engano do pecado.

Esta festa celebra Cristo, como o Rei bondoso e singelo que, como pastor, guia a sua Igreja peregrina para o Reino Celestial e lhe outorga a comunhão com este Reino, para que possa transformar o mundo no qual peregrina.

A possibilidade de alcançar o Reino de Deus foi estabelecida por Jesus Cristo, ao nos deixar o Espírito Santo que nos concede as graças necessárias para obter a Santidade e transformar o mundo no amor. Essa é a missão que lhe deixou Jesus à Igreja ao estabelecer o seu Reino.

Jesus Cristo é o Rei e o Pastor do Reino de Deus, que nos tirando das trevas, nos guia e cuida em nosso caminho para a comunhão plena com Deus Amor.

(http://www.acidigital.com/fiestas/cristorei/solenidade.htm)


Leituras da Solenidade de Cristo Rei - Ano B:
L 1 Dan 7, 13-14; Sal 92, 1ab. 1c-2. 5
L 2 Ap 1, 5-8
Ev Jo 18, 33b-37

domingo, 15 de novembro de 2009

XXXIII Domingo do Tempo Comum

LEITURA I (Dan 12, 1-3)

«Nesse tempo virá a salvação para o teu povo»

Em tempo de grande perseguição religiosa sofrida pelo povo de Deus no fim do Antigo Testamento, o profeta aponta a ressurreição futura como o destino último dos que estavam sendo vítimas da perseguição. A última palavra haveria de ser não a da morte, mas a da vida, como algum tempo depois se manifestou claramente na ressurreição de Cristo. Ao chegarmos quase ao fim do ano litúrgico, surge no horizonte a luz da glória da vida eterna para além da morte.


Leitura da Profecia de Daniel

Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande chefe dos Anjos, que protege os filhos do teu povo. Será um tempo de angústia, como não terá havido até então, desde que existem nações. Mas nesse tempo, virá a salvação para o teu povo, para aqueles que estiverem inscritos no livro de Deus. Muitos dos que dormem no pó da terra acordarão, uns para a vida eterna, outros para a vergonha e o horror eterno. Os sábios resplandecerão como a luz do firmamento e os que tiverem ensinado a muitos o caminho da justiça brilharão como estrelas por toda a eternidade.
Palavra do Senhor.





LEITURA II (Hebr 10, 11-14.18)

«Por uma única oblação, tornou perfeitos para sempre os que foram santificados»

Uma vez que Se ofereceu ao Pai na Cruz em sacrifício, Jesus entrou no santuário celeste como o manifestou a sua ressurreição. É essa a salvação total e perfeita. A partir daí, e pelos merecimentos em que Ele, por misericórdia de Deus, nos quer fazer participar, todos nós podemos, com Ele e por Ele, entrar também no santuário celeste. É essa a esperança dos cristãos: passar, com Cristo, da morte à ressurreição.


Leitura da Epístola aos Hebreus

Todo o sacerdote da antiga aliança se apresenta cada dia para exercer o seu ministério e oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca poderão perdoar os pecados. Cristo, ao contrário, tendo oferecido pelos pecados um único sacrifício, sentou-Se para sempre à direita de Deus, esperando desde então que os seus inimigos sejam postos como escabelo dos seus pés. Porque, com uma única oblação, tornou perfeitos para sempre os que Ele santifica. Onde há remissão dos pecados, já não há necessidade de oblação pelo pecado.
Palavra do Senhor.





EVANGELHO (Mc 13, 24-32)

«Reunirá os seus eleitos dos quatro pontos cardeais»

O ano caminha para o seu termo, não como para um fim sem além, mas como para o supremo momento de quem tem vivido na expectativa de alguém que vai chegar e quer ser acolhido. É o Senhor Jesus, o Filho do Homem, que virá para congregar os homens em Si, e os levar consigo para o Pai. Aí será o lugar do repouso eterno, para quem viver esta vida presente na expectativa feliz do Senhor que vem. Expectativa e preparação são atitudes fundamentais de toda a vida cristã, hoje lembradas de maneira particular.



Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Naqueles dias, depois de uma grande aflição,
o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade;
as estrelas cairão do céu
e as forças que há nos céus serão abaladas.
Então, hão-de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens,
com grande poder e glória.
Ele mandará os Anjos,
para reunir os seus eleitos dos quatro pontos cardeais,
da extremidade da terra à extremidade do céu.
Aprendei a parábola da figueira:
quando os seus ramos ficam tenros e brotam as folhas,
sabeis que o Verão está próximo.
Assim também, quando virdes acontecer estas coisas,
sabei que o Filho do homem está perto,
está mesmo à porta.
Em verdade vos digo:
Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça.
Passará o céu e a terra,
mas as minhas palavras não passarão.
Quanto a esse dia e a essa hora,
ninguém os conhece: nem os Anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai».
Palavra da salvação.



domingo, 8 de novembro de 2009

XXXII Domingo do Tempo Comum

LEITURA I 1 Reis 17, 10-16
«Do seu punhado de farinha, a viúva fez um pãozinho
e trouxe-o a Elias»

Frequentes vezes, a palavra de Deus apresenta o contraste entre a opulência e a pobreza, entre a ostentação e a simplicidade, para nos fazer compreender que os humildes e os simples, que a Sagrada Escritura chama “os pobres”, têm o primeiro lugar aos olhos de Deus. Nesta leitura, vemos como foi uma pobre viúva que soube acolher o profeta de Deus, e como por isso foi recompensada com dons abundantes. Ensinamento semelhante ao que ouviremos no Evangelho.

Leitura do Primeiro Livro dos Reis
Naqueles dias, o profeta Elias pôs-se a caminho e foi a Sarepta. Ao chegar às portas da cidade, encontrou uma viúva a apanhar lenha. Chamou-a e disse-lhe: «Por favor, traz-me uma bilha de água para eu beber». Quando ela ia a buscar a água, Elias chamou-a e disse: «Por favor, traz-me também um pedaço de pão». Mas ela respondeu: «Tão certo como estar vivo o Senhor, teu Deus, eu não tenho pão cozido, mas somente um punhado de farinha na panela e um pouco de azeite na almotolia. Vim apanhar dois cavacos de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho. Depois comeremos e esperaremos a morte». Elias disse-lhe: «Não temas; volta e faz como disseste. Mas primeiro coze um pãozinho e traz-mo aqui. Depois prepararás o resto para ti e teu filho. Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘Não se esgotará a panela da farinha, nem se esvaziará a almotolia do azeite, até ao dia em que o Senhor mandar chuva sobre a face da terra’». A mulher foi e fez como Elias lhe mandara; e comeram ele, ela e seu filho. Desde aquele dia, nem a panela da farinha se esgotou, nem se esvaziou a almotolia do azeite, como o Senhor prometera pela boca de Elias.
Palavra do Senhor.



LEITURA II Hebr 9, 24-28
«Cristo ofereceu-Se uma só vez
para tomar sobre Si os pecados de muitos»

O sacrifício de Cristo, oferecido por Ele sobre a Cruz, é o momento culminante de toda a vida de Jesus e até da história de toda a humanidade. Oferecendo-Se em sacrifício ao Pai, Ele abriu o caminho para junto de Deus, primeiro para Ele mesmo, como homem que também era, e, em Si e consigo, para todos os que a Ele se entregam e Lhe obedecem, como Ele obedeceu ao Pai. Em Cristo todos podem encontrar o caminho e a porta para Deus.

Leitura da Epístola aos Hebreus
Cristo não entrou num santuário feito por mãos humanas, figura do verdadeiro, mas no próprio Céu, para Se apresentar agora na presença de Deus em nosso favor. E não entrou para Se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote que entra cada ano no Santuário, com sangue alheio; nesse caso, Cristo deveria ter padecido muitas vezes, desde o princípio do mundo. Mas Ele manifestou-Se uma só vez, na plenitude dos tempos, para destruir o pecado pelo sacrifício de Si mesmo. E, como está determinado que os homens morram uma só vez e a seguir haja o julgamento, assim também Cristo, depois de Se ter oferecido uma só vez para tomar sobre Si os pecados da multidão, aparecerá segunda vez, sem a aparência do pecado, para dar a salvação àqueles que O esperam.
Palavra do Senhor.


EVANGELHO – Mc 12, 38-44
«Esta pobre viúva deu mais do que todos os outros»

Como a viúva de que falava a primeira leitura também esta outra viúva a que se refere agora o Evangelho amou mais a palavra de Deus do que os seus poucos bens, que eram, na verdade os únicos e bem pequenos. Mas, por isso mesmo, a sua acção foi de maior alcance e mais meritória do que as grandes dádivas dos que muito possuíam. Gesto bem pequeno, portador de uma grande lição, porque inspirado por um grande amor.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
Naquele tempo, Jesus ensinava a multidão, dizendo: «Acautelai-vos dos escribas, que gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças, de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Devoram as casas das viúvas, com pretexto de fazerem longas rezas. Estes receberão uma sentença mais severa». Jesus sentou-Se em frente da arca do tesouro a observar como a multidão deitava o dinheiro na caixa. Muitos ricos deitavam quantias avultadas. Veio uma pobre viúva e deitou duas pequenas moedas, isto é, um quadrante. Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: «Em verdade vos digo: Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros. Eles deitaram do que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver».
Palavra da salvação.




domingo, 11 de outubro de 2009

XXVIII Domingo do Tempo Comum



LEITURA I Sab 7, 7-11
«Considerei a riqueza como nada, em comparação com a sabedoria»

A sabedoria é um dos temas mais queridos de certas épocas e de certos povos, como o era na época em que foi escrito o livro donde é tirada esta leitura. A sabedoria é, na Sagrada Escritura, um dom de Deus, que leva o homem a saber apreciar e interpretar a vida e os acontecimentos segundo o pensamento e os critérios de Deus, que Ele mesmo nos revela. É esta sabedoria que nos há-de levar a compreender as palavras de Jesus que vamos depois escutar no Evangelho.


Leitura do Livro da Sabedoria
Orei e foi-me dada a prudência; implorei e veio a mim o espírito de sabedoria. Preferi-a aos ceptros e aos tronos e, em sua comparação, considerei a riqueza como nada. Não a equiparei à pedra mais preciosa, pois todo o ouro, à vista dela, não passa de um pouco de areia e, comparada com ela, a prata é considera¬da como lodo. Amei-a mais do que a saúde e a beleza e decidi tê-la como luz, porque o seu brilho jamais se extingue. Com ela me vieram todos os bens e, pelas suas mãos, riquezas inume¬ráveis.
Palavra do Senhor.


LEITURA II Hebr 4, 12-13
«A palavra de Deus é capaz de discernir os pensamentos
e intenções do coração»

Esta leitura faz a apresentação de certos aspectos da Palavra de Deus. Ela é palavra eficaz: realiza sempre aquilo que diz. Ela não é apenas um som que se ouve: ela penetra até ao mais fundo do coração, e só ela é capaz de pôr o homem, no seu íntimo, diante da verdade total. Ela tudo ilumina e não deixa que haja esconderijos nem disfarces; ela é como o olhar de Deus: tudo penetra e tudo ilumina.


Leitura da Epístola aos Hebreus
A palavra de Deus é viva e eficaz, mais cortante que uma espada de dois gumes: ela penetra até ao ponto de divisão da alma e do espírito, das articulações e medulas, e é capaz de discernir os pensamentos e intenções do coração. Não há criatura que possa fugir à sua presença: tudo está patente e descoberto a seus olhos. É a ela que devemos prestar contas.
Palavra do Senhor.


Evangelho Mc 10, 17-30

«Vende o que tens e segue-Me»

A vida segundo o Evangelho não é um negócio, não se lhe deitam cálculos como quem olha para a sua conta no banco. É antes a resposta de fé à Palavra de Deus. E um dos obstáculos que mais frequentemente impede de compreender e responder prontamente à Palavra de Deus são os bens da terra. Só a sabedoria de Deus nos poderá trazer a luz necessária para aceitarmos, com fé e esperança, a palavra do Senhor, que é a palavra da salvação.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo, ia Jesus pôr-Se a caminho, quando um homem se aproximou correndo, ajoelhou diante d’Ele e perguntou- Lhe: «Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?». Jesus respondeu: «Porque Me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus. Tu sabes os mandamentos: Não mates; não cometas adultério; não roubes; não levantes falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe’». O homem disse a Jesus: «Mestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude». Jesus olhou para ele com simpatia e respondeu: «Falta-te uma coisa: vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me». Ouvindo estas palavras, anuviou-se-lhe o semblante e retirou-se pesaroso, porque era muito rico. Então Jesus, olhando à sua volta, disse aos discípulos: «Como será difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus!». Os discípulos ficaram admirados com estas palavras. Mas Jesus afirmou-lhes de novo: «Meus filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus». Eles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros: «Quem pode então salvar-se?». Fitando neles os olhos, Jesus respondeu: «Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível». Pedro começou a dizer-Lhe: «Vê como nós deixámos tudo para Te seguir». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: Todo aquele que tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras, por minha causa e por causa do Evangelho, receberá cem vezes mais, já neste mundo, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, juntamente com perseguições, e, no mundo futuro, a vida eterna».
Palavra da salvação.







O calculismo comercial não pode ter lugar na nossa adesão a Cristo. O exemplo do jovem rico devia ser suficiente para nos tornar disponíveis a, interiormente, acolhermos a mensagem de Jesus. No Antigo Testamento, Salomão é um desses modelos de oração e escuta, ao implorar do Senhor a verdadeira sabedoria, preferindo-a ao ouro e à prata, no sentido de alcançar uma visão autêntica das realidades temporais. Só assim deixamos que a Palavra de Deus viva nas nossas vidas, provocando um sério exame de consciência em cada um de nós, como nos explica a Carta aos Hebreus. Que o Senhor nos ensine os Seus caminhos, a Sua opção pelo pobre; que a todos faça caminhar com rectidão e lealdade; que cada um de nós acolha o convite de Jesus seguindo-O liberto de tudo o resto.

domingo, 19 de julho de 2009

XVI Domingo do Tempo Comum


«Eram como ovelhas sem pastor»

Sem a palavra de Deus os homens não encontram a união, são como ovelhas tresmalhadas de um rebanho a que falta o pastor. Jesus, ao contemplar a multidão que O seguia, mas que não era ainda a sua Igreja, sente por ela grande compaixão e vai-lhes dando o pão da palavra de Deus: “começou a ensinar-lhes muitas coisas”.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo,
os Apóstolos voltaram para junto de Jesus
e contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado.
Então Jesus disse-lhes:
«Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco».
De facto, havia sempre tanta gente a chegar e a partir
que eles nem tinham tempo de comer.
Partiram, então,
de barco para um lugar isolado,
sem mais ninguém.
Vendo-os afastar-se,
muitos perceberam para onde iam;
e, de todas as cidades,
acorreram a pé para aquele lugar
e chegaram lá primeiro que eles.
Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão
e compadeceu-Se de toda aquela gente,
porque eram como ovelhas sem pastor.
E começou a ensinar-lhes muitas coisas.

Mc 6, 30-34



Regressados da sua pregação, os apóstolos relatam ao Senhor os sucessos alcançados. Jesus convida-os a descansar e a reflectir; Ele mesmo mostra-lhes como evangelizar as multidões, tornando-se, assim, pastores do rebanho de Deus. Na Bíblia, também os reis e sacerdotes do povo de Israel nos aparecem frequentemente sob a designação de pastores. Jeremias, por exemplo, procura criar no povo a esperança no aparecimento de um outro Pastor que o conduza à vida e à realização dos desígnios do Senhor. Um Pastor capaz de trazer ao mundo a reconciliação, o perdão e a paz entre os Homens, assim tornados mais próximos de Deus, no mesmo Espírito de unidade.

domingo, 12 de julho de 2009

XV Domingo do Tempo Comum


«Começou a enviá-los»

A missão dos Apóstolos é puro dom do Senhor; Ele escolhe os que quer, e envia-os a anunciar uma mensagem de salvação que vem d’Ele, o Salvador. E de tal maneira eles anunciam uma mensagem que não é sua, mas de Jesus, que não deverão ir apoiados em seguranças humanas, mas somente no dom do Senhor que os envia.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo,
Jesus chamou os doze Apóstolos
e começou a enviá-los dois a dois.
Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros
e ordenou-lhes que nada levassem para o caminho,
a não ser o bastão:
nem pão, nem alforge, nem dinheiro;
que fossem calçados com sandálias,
e não levassem duas túnicas.
Disse-lhes também:
«Quando entrardes em alguma casa,
ficai nela até partirdes dali.
E se não fordes recebidos em alguma localidade,
se os habitantes não vos ouvirem,
ao sair de lá,
sacudi o pó dos vossos pés como testemunho contra eles».
Os Apóstolos partiram
e pregaram o arrependimento,
expulsaram muitos demónios,
ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos.


Mc 6, 7-13






Não tendo sido aceite na sua terra, Jesus tenta mais uma vez a conversão dos seus con-terrâneos, enviando-lhes os seus discípulos, recomendando-lhes humildade, pobreza e desprendimento, para que o anúncio adquira verdadeira eficácia.

domingo, 5 de julho de 2009

XIV Domingo do Tempo Comum


«Um profeta só é desprezado na sua terra»

O último dos Profetas foi o próprio Filho de Deus, Jesus. Mais do que Profeta, porque Ele, não só anunciou a palavra de Deus, mas Ele próprio é a Palavra do Pai, e veio a este mundo precisamente para ser a Palavra de Deus no meio dos homens. Apesar disso, os seus próprios compatriotas desprezaram-n’O. Era para eles apenas um vizinho, todos Lhe conheciam a história, e facilmente desprezamos o que só conhecemos por fora. Outros, ao longe, hão-de acreditar n’Ele, e, por Ele, chegar ao Pai.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo,
Jesus dirigiu-Se à sua terra
e os discípulos acom¬panharam-n’O.
Quando chegou o sábado,
começou a ensinar na sinagoga.
Os numerosos ouvintes estavam admirados e diziam:
«De onde Lhe vem tudo isto?
Que sabedoria é esta que Lhe foi dada
e os prodigiosos milagres feitos por suas mãos?
Não é Ele o carpinteiro,
filho de Maria,
e irmão de Tiago,
de José,
de Judas e de Simão?
E não estão as suas irmãs aqui entre nós?».
E ficavam perplexos a seu respeito.
Jesus disse-lhes:
«Um profeta só é desprezado na sua terra,
entre os seus parentes e em sua casa».
E não podia ali fazer qualquer milagre;
apenas curou alguns doentes,
impondo-lhes as mãos.
Estava admirado com a falta de fé daquela gente.
E percorria as aldeias dos arredores,
ensinando.

Mc 6, 1-6




O ser humano diante de Deus conta apenas com a grandeza da sua disponibilidade para servir o Senhor. “Vou enviar-te”, diz o Senhor ao profeta e diz-nos hoje também a nós, porque a Palavra de Deus não é uma palavra como as outras, mera recordação do passado, mas palavra para mim hoje, aqui e agora. A fraqueza e a humilhação impedem que o egoísmo e o orgulho se manifestem. Deus escolhe instrumentos pobres e até inúteis aos nossos olhos para a construção do Seu Reino. É o exemplo dos santos, que não devemos ter apenas como intercessores mas como modelos de uma conduta de amor a que também nós somos chamados.

domingo, 28 de junho de 2009

XIII Domingo do Tempo Comum

«Menina, Eu te ordeno: Levanta-te»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo,
depois de Jesus ter atravessado
de barco para a outra margem do lago,
reuniu-se uma grande multidão à sua volta,
e Ele deteve-se à beira-mar.
Chegou então um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo.
Ao ver Jesus,
caiu a seus pés e suplicou-Lhe com insistência:
«A minha filha está a morrer.
Vem impor-lhe as mãos, para que se salve e viva».
Jesus foi com ele,
seguido por grande multidão,
que O apertava de todos os lados.
Ora, certa mulher que tinha um fluxo de sangue havia doze anos,
que sofrera muito nas mãos de vários médicos
e gastara todos os seus bens,
sem ter obtido qualquer resultado,
antes piorava cada vez mais,
tendo ouvido falar de Jesus,
veio por entre a multidão
e tocou-Lhe por detrás no manto, dizendo consigo:
«Se eu, ao menos, tocar nas suas vestes, ficarei curada».
No mesmo instante estancou o fluxo de sangue
e sentiu no seu corpo que estava curada da doença.
Jesus notou logo que saíra uma força de Si mesmo.
Voltou-Se para a multidão e perguntou:
«Quem tocou nas minhas vestes?».
Os discípulos responderam-Lhe:
«Vês a multidão que Te aperta e perguntas:
«‘Quem Me tocou?’».
Mas Jesus olhou em volta, para ver quem O tinha tocado.
A mulher, assustada e a tremer,
por saber o que lhe tinha acontecido,
veio prostrar-se diante de Jesus e disse-Lhe a verdade.
Jesus respondeu-lhe:
«Minha filha, a tua fé te salvou».
Ainda Ele falava,
quando vieram dizer da casa do chefe da sinagoga:
«A tua filha morreu. Porque estás ainda a importunar o Mestre?».
Mas Jesus, ouvindo estas palavras,
disse ao chefe da sinagoga:
«Não temas; basta que tenhas fé».
E não deixou que ninguém O acompanhasse,
a não ser Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago.
Quando chegaram a casa do chefe da sinagoga,
Jesus encontrou grande alvoroço,
com gente que chorava e gritava.
Ao entrar, perguntou-lhes:
«Porquê todo este alarido e tantas lamentações?
A menina não morreu; está a dormir». Riram-se d’Ele.
Jesus, depois de os ter mandado sair a todos,
levando consigo apenas o pai da menina
e os que vinham com Ele,
entrou no local onde jazia a menina,
pegou-lhe na mão e disse:
«Talita Kum», que significa:
«Menina, Eu te ordeno: Levanta-te».
Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar,
pois já tinha doze anos.
Ficaram todos muito maravilhados.
Jesus recomendou-lhes insistentemente
que ninguém soubesse do caso
e mandou dar de comer à menina.

Mc 5, 21-24.35b-43





Deus não criou o Homem para o abandonar à morte, mas para que viva eternamente. A criação é portadora de vida. O apóstolo Paulo apresenta-nos o ideal da vida cristã não como um ideal da esmola mas da justa distribuição dos bens, por forma a que não haja opulentos de um lado e miseráveis do outro. Já no Evangelho, e depois de no Domingo passado termos ouvido como Jesus acalmou a tempestade, temos hoje um outro exemplo de como não devemos desesperar face às partidas que a vida nos reserva, mas encará-las com fé, porque Cristo está no meio de nós.

domingo, 21 de junho de 2009

XII Domingo do Tempo Comum

«Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?»

Se a contemplação da obra da criação nos pode levar a reconhecer a presença de Deus junto dos homens, quanto mais a contemplação das obras realizadas por Jesus Cristo, o próprio Filho de Deus feito homem? E mais ainda do que acalmar a tempestade no lago da Galileia, o Senhor sempre presente na barca da Igreja, continua a trazer a paz e a bonança ao seu povo batido pelas vagas na travessia do mar desta vida a caminho do porto seguro da glória celeste.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele dia,
ao cair da tarde,
Jesus disse aos seus discípulos:
«Passemos à outra margem do lago».
Eles deixaram a multidão e levaram Jesus consigo
na barca em que estava sentado.
Iam com Ele outras embarcações.
Levantou-se então uma grande tormenta
e as ondas eram tão altas que enchiam a barca de água.
Jesus, à popa, dormia com a cabeça numa almofada.
Eles acordaram-n’O e disseram:
«Mestre, não Te importas que pereçamos?».
Jesus levantou-Se,
falou ao vento imperiosamente e disse ao mar:
«Cala-te e está quieto».
O vento cessou e fez-se grande bonança.
Depois disse aos discípulos:
«Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?».
Eles ficaram cheios de temor diziam uns para os outros.
«Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?».

Mc 4, 35-41




Na história da tradição cristã, a barca é símbolo da Igreja. O Evangelho de hoje recorda aquele célebre episódio em que Jesus acalma a tempestade que se havia levantado no mar. Para desespero dos discípulos, o Senhor, aparentemente, alheara-se por completo daquela que parecia ser, sem dúvida, uma situação dramática. É nestes momentos particularmente difíceis que a fé é posta à prova. Regra geral, os nossos medos ignoram a força da fé. Mas é precisamente nessa altura que todos, sem excepção, somos chamados a remar contra ventos e marés. É o Senhor quem nos convida a não cedermos à tentação do desânimo, tal como fizera com Job, imagem do homem vencido pelo sofrimento.

domingo, 14 de junho de 2009

XI Domingo do Tempo Comum



«A menor de todas as sementes torna-se a maior
de todas as plantas da horta»

A pregação de Jesus, ao apresentar o mistério do reino de Deus, e, depois, a pregação continuada na Igreja, é comparada a uma sementeira. O seu desenvolvimento é lento, mas constante e vigoroso, porque é forte a vitalidade da semente, que é a Palavra de Deus. É essa a vitalidade que a faz germinar, crescer, chegar à hora da colheita. A humildade dos começos não é obstáculo à grandeza que o reino de Deus há-de atingir na hora da ceifa.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo,
disse Jesus à multidão:
«O reino de Deus é como um homem
que lançou a semente à terra.
Dorme e levanta-se,
noite e dia,
enquanto a semente germina e cresce,
sem ele saber como.
A terra produz por si,
primeiro a planta, depois a espiga,
por fim o trigo maduro na espiga.
E quando o trigo o permite,
logo se mete a foice,
porque já chegou o tempo da colheita».
Jesus dizia ainda:
«A que havemos de comparar o reino de Deus?
Em que parábola o havemos de apresentar?
É como um grão de mostarda, que,
ao ser semeado na terra,
é a menor de todas as sementes que há sobre a terra;
mas, depois de semeado,
começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta,
estendendo de tal forma os seus ramos
que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra».
Jesus pregava-lhes a palavra de Deus
com muitas parábolas como estas,
conforme eram capazes de entender.
E não lhes falava senão em parábolas;
mas, em particular, tudo explicava aos seus discípulos.

Mc 4, 26-34




O Reino de Deus anunciado por Cristo não aparece, em toda a sua plenitude, da noite para o dia. O seu crescimento é lento, mas seguro e progressivo, como o de uma árvore frondosa. Pela imagem dum cedro que morre e depois renasce, fala-nos o Senhor Deus da queda do povo judaico e do renascimento do maravilhoso reino messiânico. O cristão deve ser o homem da esperança, que fundamenta em Cristo. A Ele deve confiar a sua vida, certo de que a seu tempo será recompensado.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO


«Isto é o meu Corpo. Este é o meu Sangue»

No sacramento do seu Corpo e Sangue, Jesus deixou-nos o memorial do seu sacrifício para que o celebrássemos em memória d’Ele, até que Ele venha no fim dos tempos. Por isso, sempre que celebramos a Eucaristia, proclamamos a morte do Senhor e renovamos a Aliança com Deus, que, na sua morte, Cristo selou em nosso favor.



Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

No primeiro dia dos Ázimos,
em que se imolava o cordeiro pascal,
os discípulos perguntaram a Jesus:
«Onde queres que façamos
os preparativos para comer a Páscoa?».
Jesus enviou dois discípulos e disse-lhes:
«Ide à cidade.
Virá ao vosso encontro um homem
com uma bilha de água.
Segui-o e, onde ele entrar,
dizei ao dono da casa:
«O Mestre pergunta:
Onde está a sala, em que hei-de comer
a Páscoa com os meus discípulos?».
Ele vos mostrará uma grande sala
no andar superior, alcatifada e pronta.
Preparai-nos lá o que é preciso».
Os discípulos partiram e foram à cidade.
Encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito
e prepararam a Páscoa.
Enquanto comiam, Jesus tomou o pão,
recitou a bênção e partiu-o,
deu-o aos discípulos e disse:
«Tomai: isto é o meu Corpo».
Depois tomou um cálice, deu graças e entregou-lho.
E todos beberam dele. Disse Jesus:
«Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança,
derramado pela multidão dos homens.
Em verdade vos digo:
Não voltarei a beber do fruto da videira,
até ao dia em que beberei do
vinho novo no reino de Deus».
Cantaram os salmos e saíram
para o monte das Oliveiras.

Mc 14, 12-16.22-26

domingo, 7 de junho de 2009

Solenidade da Santíssima Trindade

«Baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo»
Antes de voltar para o Pai, Cristo Ressuscitado transmite à Sua Igreja, representada pelos Apóstolos, os Seus mesmos poderes tornando-a assim continuadora da Sua missão.
Enviados para todos os povos do mundo, os Apóstolos anunciarão, por toda a parte, que Jesus continua vivo e deseja que todos os homens participem da vida do Pai, do Filho e do Espírito Santo, mediante a fé e o Baptismo. Assistidos por Jesus, presente na Sua Igreja, ao longo da história, ensinarão os homens a amar a Deus e os irmãos, mostrando-se, desse modo, discípulos de Jesus.



Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
os Onze discípulos
partiram para a Galileia,
em direcção ao monte
que Jesus lhes indicara.
Quando O viram, adoraram-n’O;
mas alguns ainda duvidaram.
Jesus aproximou-Se e disse-lhes:
«Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra.
Ide e ensinai todas as nações,
baptizando-as em nome do Pai
e do Filho e do Espírito Santo,
ensinando-as a cumprir
tudo o que vos mandei.
Eu estou sempre convosco
até ao fim dos tempos».

Mt 28, 16-20




O Evangelho de hoje contém a fórmula com que nas primitivas comunidades cristãs eram baptizados os cristãos, imersos três vezes na água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A obra dos apóstolos consiste em introduzir o Homem todo e todos os Homens na família de Deus. Essa família, a Trindade, está sempre aberta para acolher novos filhos. Pois bem, também nós somos encarregados de levar a salvação a todos os Homens. Estaremos conscientes da missão que nos foi confiada? Desempenhamo-la sozinhos ou em comunidade? E de que forma?

domingo, 31 de maio de 2009

Domingo de Pentecostes


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Na tarde daquele dia,
o primeiro da semana,
estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam,
com medo dos judeus, veio Jesus,
apresentou-Se no meio deles e disse-lhes:
«A paz esteja convosco».
Dito isto,
mostrou-lhes as mãos e o lado.
Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.
Jesus disse-lhes de novo:
«A paz esteja convosco.
Assim como o Pai Me enviou,
também Eu vos envio a vós».
Dito isto,
soprou sobre eles e disse-lhes:
«Recebei o Espírito Santo:
àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados;
e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

Jo 20, 19-23



Inundados pelo Espírito Santo, os apóstolos proclamaram, naquela manhã, os louvores de Deus. Cada um ouve-os falar na sua própria língua. Como nos explica S. Paulo na carta à comunidade cristã de Corinto, é desta diversidade, operada pelo Espírito Santo, que brota a verdadeira unidade. O Homem desiste do sonho de Babel e entrega-se confiado às inspirações do Espírito, numa atitude de docilidade e escuta. Depois do tempo histórico de Jesus de Nazaré, depois das aparições do Ressuscitado e da sua Ascensão aos céus, o Espírito Santo é chama acesa sobre o tempo da Igreja, esta saudade do futuro que nos aproxima de Deus e dos outros.



domingo, 24 de maio de 2009

Solenidade da Ascensão do Senhor

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo,
Jesus apareceu aos Onze e disse-lhes:
«Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura.
Quem acreditar e for baptizado será salvo;
mas quem não acreditar será condenado.
Eis os milagres que acompanharão os que acreditarem:
expulsarão os demónios em meu nome;
falarão novas línguas;
se pegarem em serpentes ou beberem veneno,
não sofrerão nenhum mal;
e quando impuserem as mãos sobre os doentes,
eles ficarão curados».
E assim o Senhor Jesus,
depois de ter falado com eles,
foi elevado ao Céu e sentou-Se à direita de Deus.
Eles partiram a pregar por toda a parte
e o Senhor cooperava com eles,
confirmando a sua palavra
com os milagres que a acompanhavam.

Mc 16, 15-20





Revestido de poder divino, coberto de glória, Jesus manifesta-se pela última vez aos discípulos, confiando-lhes a missão de levar a Boa Nova a todos os povos. A Ascensão inaugura o tempo da Igreja, ligando céu e terra. Agora, temos ali, sentado à direita do Pai, o poderoso Intercessor, que intercede continuamente por nós e nos envia o seu Espírito de amor. Jesus é assim constituído Cabeça da Igreja e Senhor do universo. D’Ele recebemos continuamente a vida nova da graça, que nos faz desabrochar com infinita beleza no meio das tribulações do mundo.

domingo, 17 de maio de 2009

6º Domingo da Páscoa - Ano B

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo,
Disse Jesus aos seus discípulos:
«Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei.
Permanecei no meu amor.
Se guardardes os meus mandamentos,
permanecereis no meu amor.
Se guardardes os meus mandamentos,
permanecereis no meu amor,
Assim como Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai
e permaneço no seu amor.
Disse-vos estas coisas,
para que a minha alegria esteja em vós
e a vossa alegria seja completa.
É este o meu mandamento:
que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei.
Ninguém tem maior amor
do que aquele que dá a vida pelos amigos.
Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando.
Já não vos chamo servos,
porque o servo não sabe o que faz o seu senhor;
mas chamo-vos amigos,
porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai.
Não fostes vós que Me escolhestes;
fui eu que vos escolhi e destinei,
para que vades e deis fruto
e o vosso fruto permaneça.
E assim, tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome,
Ele vo-lo concederá.
O que vos mando é que vos ameis uns aos outros».
Jo 15,9-17


Cristo veio para salvar todos os Homens, não apenas os judeus. O Seu amor é universal, sem fronteiras. Foi esta a grande conclusão a que chegaram os Apóstolos e, à cabeça deles, S. Pedro, como podemos confirmar na narração da conversão de Cornélio, de que nos dá conta a Primeira Leitura. Depois, o apóstolo João, fiel ao seu estilo, ensina-nos que o verdadeiro e autêntico amor deriva de Deus. Quem nasce de Deus ama, é considerado Seu filho e está animado pela Sua graça. Assim, tornados amigos de Deus, cabe-nos permanecer nesse amor para que a nossa acção dê frutos de paz e de alegria – a violência e a tristeza não vêm de Deus mas do coração amargo e reincidente no pecado.

domingo, 3 de maio de 2009

4º Domindo da Páscoa - Ano B


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus.
«Eu sou o Bom Pastor.
O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas.
O mercenário, como não é pastor, nem são suas as ovelhas,
logo que vê vir o lobo, deixa as ovelhas e foge,
enquanto o lobo as arrebata e dispersa.
O mercenário não se preocupa com as ovelhas.
Eu sou o Bom Pastor:
conheço as minhas ovelhas
e as minhas ovelhas conhecem-Me,
do mesmo modo que o Pai Me conhece e Eu conheço o Pai;
Eu dou a minha vida pelas minhas ovelhas.
Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil
e preciso de as reunir;
elas ouvirão a minha voz
e haverá um só rebanho e um só Pastor.
Por isso o Pai Me ama:
porque dou a minha vida, para poder retomá-la.
Ninguém Ma tira, sou Eu que a dou espontaneamente.
Tenho o poder de a dar e de a retomar:
foi este o mandamento que recebi de meu Pai».

Jo 10,11-18



No mundo complexo em que vivemos, frequentemente surgem chefes a agitar as multidões e a propor-lhes programas de acção que conduzam à paz e harmonia universais. Só Cristo poderá conseguir plenamente este desiderato, pois só Ele é o Bom Pastor que dá a vida pela multidão. É este Bom Pastor que, diante do Sinédrio, Pedro testemunha, inaugurando a pregação no nome de Jesus ao proclamar não só que Ele continua vivo como também que Ele é o único Salvador. Temos razões de sobra para estarmos felizes, pois, como nos lembra São Paulo, em virtude do amor com que Deus nos cumulou ao dar-nos o seu Filho, nós chamamo-nos verdadeiramente filhos de Deus e somos herdeiros da Sua glória.

domingo, 26 de abril de 2009

3º Domingo da Páscoa - Ano B

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
os discípulos de Emaús
contaram o que tinha acontecido no caminho
e como tinham reconhecido Jesus ao partir do pão.
Enquanto diziam isto,
Jesus apresentou-Se no meio deles e disse-lhes:
«A paz esteja convosco».
Espantados e cheios de medo, julgavam ver um espírito.
Disse-lhes Jesus:
«Porque estais perturbados
e porque se levantam esses pensamentos nos vossos corações?
Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo;
tocai-Me e vede: um espírito não tem carne nem ossos,
Como vedes que Eu tenho».
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés.
E como eles, na sua alegria e admiração,
não queriam ainda acreditar,
perguntou-lhes:
«Tendes aí alguma coisa para comer?»
Deram-Lhe uma posta de peixe assado,
que Ele tomou e começou a comer diante deles.
Depois disse-lhes:
«Foram estas as palavras que vos dirigi,
quando ainda estava convosco:
‘Tem de se cumprir tudo o que está escrito a meu respeito
na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos’».
Abriu-lhes então o entendimento
para compreenderem as Escrituras
e disse-lhes:
«Assim está escrito que o Messias havia de sofrer
e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia,
e que havia de ser pregado em seu nome
o arrependimento e o perdão dos pecados
a todas as nações, começando por Jerusalém.
Vós sois as testemunhas de todas estas coisas».

Lc 24,35-48




Jesus aparece aos Apóstolos e convida-os a tocar o seu Corpo glorificado, para que não subsistam dúvidas acerca da veracidade da Ressurreição. Ela será a garantia da fé e a força do apostolado de todos os seus seguidores. Com efeito, o plano de salvação traçado por Deus cumpriu-se em Jesus Cristo, que realizou todas as profecias do Antigo Testamento. Todavia, perante o desígnio de Deus, a atitude dos judeus é de incompreensão. Por isso é que o apóstolo S. Pedro os convida à conversão. Já S. João nos recorda que o mal só pode ser plenamente vencido com a ajuda de Cristo, nosso poderoso defensor junto do Pai.

domingo, 12 de abril de 2009

Domingo de Páscoa - Ano B

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

No primeiro dia da semana,
Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro
e viu a pedra retirada do sepulcro.
Correu então e foi ter com Simão Pedro
e com o discípulo predilecto de Jesus
e disse-lhes:
«Levaram o Senhor do sepulcro
e não sabemos onde O puseram».
Pedro partiu com o outro discípulo
e foram ambos ao sepulcro.
Corriam os dois juntos,
mas o outro discípulo antecipou-se,
correndo mais depressa do que Pedro,
e chegou primeiro ao sepulcro.
Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou.
Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira.
Entrou no sepulcro
e viu as ligaduras no chão
e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus,
não com as ligaduras, mas enrolado à parte.
Entrou também o outro discípulo
que chegara primeiro ao sepulcro:
viu e acreditou.
Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura,
segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

Jo 20,1-9




O sepulcro vazio é imagem fundante da nossa fé. Maria Madalena é a primeira testemunha desse túmulo aberto. Numa imensa alegria, ela corre a dar a Boa Nova aos apóstolos, que ainda terão de fazer caminho até à compreensão plena destes acontecimentos, embora o próprio Senhor Jesus lhos tivesse anunciado. Neste dia em que se cumprem as Escrituras, tiremos a “cara de Sexta-feira santa” e entremos, sem demoras, numa nova relação com o Ressuscitado.

domingo, 5 de abril de 2009

Domingo de Ramos - Ano B



N Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

N
Faltavam dois dias para a festa da Páscoa e dos Ázimos
e os príncipes dos sacerdotes e os escribas
procuravam maneira de se apoderarem de Jesus à traição
para Lhe darem a morte.
Mas diziam:
R
«Durante a festa, não,
para que não haja algum tumulto entre o povo».
N
Jesus encontrava-Se em Betânia,
em casa de Simão o Leproso,
e, estando à mesa,
veio uma mulher que trazia um vaso de alabastro
com perfume de nardo puro de alto preço.
Partiu o vaso de alabastro
e derramou-o sobre a cabeça de Jesus.
Alguns indignaram-se e diziam entre si:
R
«Para que foi esse desperdício de perfume?
Podia vender-se por mais de duzentos denários
e dar o dinheiro aos pobres».
N
E censuravam a mulher com aspereza.
Mas Jesus disse:
J
«Deixai-a. Porque estais a importuná-la?
Ela fez uma boa acção para comigo.
Na verdade, sempre tereis os pobres convosco
e, quando quiserdes, podereis fazer-lhes bem;
Mas a Mim, nem sempre Me tereis.
Ela fez o que estava ao seu alcance:
ungiu de antemão o meu corpo para a sepultura.
Em verdade vos digo:
Onde quer que se proclamar o Evangelho, pelo mundo inteiro,
dir-se-á também em sua memória, o que ela fez».
N
Então, Judas Iscariotes, um dos Doze,
foi ter com os príncipes dos sacerdotes
para lhes entregar Jesus.
Quando o ouviram, alegraram-se
e prometeram dar-lhe dinheiro.
E ele procurava uma oportunidade para entregar Jesus.

N
No primeiro dia dos Ázimos,
em que se imolava o cordeiro pascal,
os discípulos perguntaram a Jesus:
R
«Onde queres que façamos os preparativos
para comer a Páscoa?»
N
Jesus enviou dois discípulos e disse-lhes:
J
«Ide à cidade.
Virá ao vosso encontro um homem com uma bilha de água.
Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa:
‘O Mestre pergunta: Onde está a sala,
em que hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos?’
Ele vos mostrará uma grande sala no andar superior,
alcatifada e pronta.
Preparai-nos lá o que é preciso».
N
Os discípulos partiram e foram à cidade.
Encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito
e prepararam a Páscoa.
Ao cair da tarde, chegou Jesus com os Doze.
Enquanto estavam à mesa e comiam,
Jesus disse:
J
«Em verdade vos digo:
Um de vós, que está comigo à mesa, há-de entregar-Me».
N
Eles começaram a entristecer-se e a dizer um após outro:
R
«Serei eu?»
N
Jesus respondeu-lhes:
J
«É um dos Doze, que mete comigo a mão no prato.
O Filho do homem vai partir,
como está escrito a seu respeito,
mas ai daquele por quem o Filho do homem vai ser traído!
Teria sido melhor para esse homem não ter nascido».
N
Enquanto comiam, Jesus tomou o pão,
recitou a bênção e partiu-o,
deu-o aos discípulos e disse:
J
«Tomai: isto é o meu Corpo».
N
Depois tomou um cálice, deu graças e entregou-lho.
E todos beberam dele.
Disse Jesus:
J
«Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança,
derramado pela multidão dos homens.
Em verdade vos digo:
Não voltarei a beber do fruto da videira,
até ao dia em que beberei do vinho novo no reino de Deus».
N
Cantaram os salmos e saíram para o Monte das Oliveiras.

N
Disse-lhes Jesus:
J
«Todos vós Me abandonareis, como está escrito:
‘Ferirei o pastor e dispersar-se-ão as ovelhas’.
Mas depois de ressuscitar,
irei à vossa frente para a Galileia».
N
Disse-Lhe Pedro:
R
«Embora todos te abandonem, eu não».
N
Jesus respondeu-lhe:
J
«Em verdade te digo:
Hoje, esta mesma noite, antes do galo cantar duas vezes,
três vezes Me negarás».
N
Mas Pedro continuava a insistir:
R
«Ainda que tenha de morrer contigo, não Te negarei».
N
E todos afirmaram o mesmo.
Entretanto, chegaram a uma propriedade chamada Getsémani
e Jesus disse aos seus discípulos:
J
«Ficai aqui, enquanto Eu vou orar».
N
Tomou consigo Pedro, Tiago e João
e começou a sentir pavor e angústia.
Disse-lhes então:
J
«A minha alma está numa tristeza de morte.
Ficai aqui e vigiai».
N
Adiantando-Se um pouco, caiu por terra
e orou para que, se fosse possível,
se afastasse d’Ele aquela hora.
Jesus dizia:
J
«Abba, Pai, tudo Te é possível:
afasta de Mim este cálice.
Contudo, não se faça o que Eu quero,
mas o que Tu queres».
N
Depois, foi ter com os discípulos, encontrando-os dormindo
e disse a Pedro:
J
«Simão, estás a dormir? Não pudeste vigiar uma hora?
Vigiai e orai, para não entrardes em tentação.
O espírito está pronto, mas a carne é fraca».
N
Afastou-Se de novo e orou, dizendo as mesmas palavras.
Voltou novamente e encontrou-os dormindo,
porque tinham os olhos pesados
e não sabiam que responder.
Jesus voltou pela terceira vez e disse-lhes:
J
«Dormi agora e descansai...
Chegou a hora:
o Filho do homem vai ser entregue às mãos dos pecadores.
Levantai-vos. Vamos.
Já se aproxima aquele que Me vai entregar».
N
Ainda Jesus estava a falar,
quando apareceu Judas, um dos Doze,
e com ele uma grande multidão, com espadas e varapaus,
enviada pelos príncipes dos sacerdotes,
pelos escribas e os anciãos.
O traidor tinha-lhes dado este sinal:
«Aquele que eu beijar, é esse mesmo.
Prendei-O e levai-O bem seguro».
Logo que chegou, aproximou-se de Jesus e beijou-O, dizendo:
R
«Mestre».
N
Então deitaram-Lhe as mãos e prenderam-n’O.
Um dos presentes puxou da espada
e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha.
Jesus tomou a palavra e disse-lhes:
J
«Vós saístes com espadas e varapaus para Me prender,
como se fosse um salteador.
Todos os dias Eu estava no meio de vós,
a ensinar no templo,
e não Me prendestes!
Mas é para se cumprirem as Escrituras».
N
Então os discípulos deixaram-n’O e fugiram todos.
Seguiu-O um jovem, envolto apenas num lençol.
Agarraram-no, mas ele, largando o lençol, fugiu nu.

N
Levaram então Jesus à presença do sumo sacerdote,
onde se reuniram todos os príncipes dos sacerdotes,
os anciãos e os escribas.
Pedro, que O seguira de longe,
até ao interior do palácio do sumo sacerdote,
estava sentado com os guardas, a aquecer-se ao lume.
Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio
procuravam um testemunho contra Jesus
para Lhe dar a morte,
mas não o encontravam.
Muitos testemunhavam falsamente contra Ele,
mas os seus depoimentos não eram concordes.
Levantaram-se então alguns,
para proferir contra Ele este falso testemunho:
R
«Ouvimo-l’O dizer:
‘Destruirei este templo feito pelos homens
e em três dias construirei outro
que não será feito pelos homens’».
N
Mas nem assim o depoimento deles era concorde.
Então o sumo sacerdote levantou-se no meio de todos
e perguntou a Jesus:
R
«Não respondes nada ao que eles depõem contra Ti?»
N
Mas Jesus continuava calado e nada respondeu.
O sumo sacerdote voltou a interrogá-l’O:
R
«És Tu o Messias, Filho do Deus Bendito?»
N
Jesus respondeu:
J
«Eu Sou. E vós vereis o Filho do homem
sentado à direita do Todo-poderoso
vir sobre as nuvens do céu».
N
O sumo sacerdote rasgou as vestes e disse:
R
«Que necessidade temos ainda de testemunhas?
Ouvistes a blasfémia. Que vos parece?»
N
Todos sentenciaram que Jesus era réu de morte.
Depois, alguns começaram a cuspir-Lhe,
a tapar-Lhe o rosto com um véu
e a dar-Lhe punhadas, dizendo:
R
«Adivinha».
N
E os guardas davam-Lhe bofetadas.

N
Pedro estava em baixo, no pátio,
quando chegou uma das criadas do sumo sacerdote.
Ao vê-lo a aquecer-se, olhou-o de frente e disse-lhe:
R
«Tu também estavas com Jesus, o Nazareno».
N
Mas ele negou:
R
«Não sei nem entendo o que dizes».
N
Depois saiu para o vestíbulo e o galo cantou.
A criada, vendo-o de novo, começou a dizer aos presentes:
R
«Este é um deles».
N
Mas ele negou segunda vez.
Pouco depois, os presentes diziam também a Pedro:
R
«Na verdade, tu és deles, pois também és galileu».
N
Mas ele começou a dizer imprecações e a jurar:
R
«Não conheço esse homem de quem falais».
N
E logo o galo cantou pela segunda vez.
Então Pedro lembrou-se do que Jesus lhe tinha dito:
«Antes do galo cantar duas vezes,
três vezes Me negarás».
E desatou a chorar.

N
Logo de manhã,
os príncipes dos sacerdotes reuniram-se em conselho,
com os anciãos e os escribas e todo o Sinédrio.
Depois de terem manietado Jesus,
foram entregá-l’O a Pilatos.
Pilatos perguntou-Lhe:
R
«Tu és o Rei dos judeus?»
N
Jesus respondeu:
J
«É como dizes».
N
E os príncipes dos sacerdotes
faziam muitas acusações contra Ele.
Pilatos interrogou-O de novo:
R
«Não respondes nada? Vê de quantas coisas Te acusam».
N
Mas Jesus nada respondeu,
de modo que Pilatos estava admirado.

N
Pela festa da Páscoa,
Pilatos costumava soltar-lhes um preso à sua escolha.
Havia um, chamado Barrabás, preso com os insurrectos,
que numa revolta tinham cometido um assassínio.
A multidão, subindo,
começou a pedir o que era costume conceder-lhes.
Pilatos respondeu:
R
«Quereis que vos solte o Rei dos judeus?»
N
Ele sabia que os príncipes dos sacerdotes
O tinham entregado por inveja.
Entretanto, os príncipes dos sacerdotes incitaram a multidão
a pedir que lhes soltasse antes Barrabás.
Pilatos, tomando de novo a palavra, perguntou-lhes:
R
«Então, que hei-de fazer d’Aquele
que chamais o Rei dos judeus?»
N
Eles gritaram de novo:
R
«Crucifica-O!».
N
Pilatos insistiu:
R
«Que mal fez Ele?»
N
Mas eles gritaram ainda mais:
R
«Crucifica-O!».
N
Então Pilatos, querendo contentar a multidão,
soltou-lhes Barrabás
e, depois de ter mandado açoitar Jesus,
entregou-O para ser crucificado.
Os soldados levaram-n’O para dentro do palácio,
que era o pretório,
e convocaram toda a coorte.
Revestiram-n’O com um mando de púrpura
e puseram-Lhe na cabeça uma coroa de espinhos
que haviam tecido.
Depois começaram a saudá-l’O:
R
«Salvé, Rei dos judeus!»
N
Batiam-lhe na cabeça com uma cana, cuspiam-Lhe
e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante d’Ele.
Depois de O terem escarnecido,
tiraram-Lhe o manto de púrpura
e vestiram-Lhe as suas roupas.
Em seguida levaram-n’O dali para O crucificarem.

N
Requisitaram, para Lhe levar a cruz,
um homem que passava, vindo do campo,
Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo.
E levaram Jesus ao lugar do Gólgota,
quer dizer, lugar do Calvário.
Queriam dar-Lhe vinho misturado com mirra,
mas Ele não o quis beber.
Depois crucificaram-n’O.
E repartiram entre si as suas vestes,
tirando-as à sorte, para verem o que levaria cada um.
Eram nove horas da manhã quando O crucificaram.
O letreiro que indicava a causa da condenação tinha escrito:
«Rei dos Judeus».
Crucificaram com Ele dois salteadores,
um à direita e outro à esquerda.
Os que passavam insultavam-n’O
e abanavam a cabeça, dizendo:
R
«Tu que destruías o templo e o reedificavas em três dias,
salva-Te a Ti mesmo e desce da cruz».
N
Os príncipes dos sacerdotes e os escribas
troçavam uns com os outros, dizendo:
R
«Salvou os outros e não pode salvar-se a Si mesmo!
Esse Messias, o Rei de Israel, desça agora da cruz,
para nós vermos e acreditarmos».
N
Até os que estavam crucificados com ele o injuriavam.
Quando chegou o meio-dia,
as trevas envolveram toda a terra até às três horas da tarde.
E às três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte:
J
«Eloí, Eloí, lamá sabachtháni?»
N
que quer dizer:
«Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?»
N
Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram:
R
«Está a chamar por Elias».
N
Alguém correu a embeber uma esponja em vinagre
e, pondo-a na ponta duma cana, deu-Lhe a beber e disse:
R
«Deixa ver se Elias vem tirá-l’O dali».
N
Então Jesus, soltando um grande brado, expirou.

N
O véu do templo rasgou-se em duas partes de alto a baixo.
O centurião que estava em frente de Jesus,
ao vê-l’O expirar daquela maneira, exclamou:
R
«Na verdade, este homem era Filho de Deus».
N
Estavam também ali umas mulheres a observar de longe,
entre elas Maria Madalena,
Maria, mãe de Tiago e de José, e Salomé,
que acompanhavam e serviam Jesus,
quando estava na Galileia,
e muitas outras que tinham subido com ele a Jerusalém.
Ao cair da tarde
– visto ser a Preparação, isto é, a véspera do sábado –
José de Arimateia, ilustre membro do Sinédrio,
que também esperava o reino de Deus,
foi corajosamente à presença de Pilatos
e pediu-lhe o corpo de Jesus.
Pilatos ficou admirado de Ele já estar morto
e, mandando chamar o centurião,
ordenou que o corpo fosse entregue e José.
José comprou um lençol,
desceu o corpo de Jesus e envolveu-O no lençol;
depois depositou-O num sepulcro escavado na rocha
e rolou uma pedra para a entrada do sepulcro.
Entretanto, Maria Madalena e Maria, mãe de José,
observavam onde Jesus tinha sido depositado.

Mc 14,1 - 15,47

domingo, 29 de março de 2009

5º Domingo da Quaresma - Ano B



Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo,
alguns gregos que tinham vindo a Jerusalém
para adorar nos dias da festa,
foram ter com Filipe, de Betsaida da Galileia,
e fizeram-lhe este pedido:
«Senhor, nós queríamos ver Jesus».
Filipe foi dizê-lo a André;
e então André e Filipe foram dizê-lo a Jesus.
Jesus respondeu-lhes:
«Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser glorificado.
Em verdade, em verdade vos digo:
Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só;
mas se morrer, dará muito fruto.
Quem ama a sua vida, perdê-la-á,
e quem despreza a sua vida neste mundo
conservá-la-á para a vida eterna.
Se alguém Me quiser servir, que Me siga,
e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo.
E se alguém Me servir, meu Pai o honrará.
Agora a minha alma está perturbada.
E que hei-de dizer? Pai, salva-Me desta hora?
Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora.
Pai, glorifica o teu nome».

Jo 12,20-33

Caminhar do Sul no Mundo