quinta-feira, 9 de abril de 2009

Via Crucis na Blogosfera - III Estação

Estação anterior: II Estação
Pater, dimitte illis, quia nesciunt, quid faciunt ("Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!")
Blogger: Alma Peregrina
Blog: Crónicas de uma Peregrinação



III Estação

Hodie mecum eris in Paradio
("Hoje mesmo estarás coMigo no Paraíso")



“Chegados a um lugar chamado Calvário ali O crucificaram, e com Ele dois ladrões, um à direita e outro à esquerda”

Já nos acostumámos a este quadro: os cravos, o martelo, a cruz e Jesus estendido sobre ela.
Devia ser um espectáculo horrível: os Evangelistas resumem-no em poucas palavras.
Ali está o Deus - todo - poderoso feito o Deus - todo - fraqueza.
Que doloroso espanto para aqueles que tinham visto os milagres de Jesus e escutado a Sua palavra.
Jesus aceita estas provocações e permanece fiel até ao fim.
Na cruz no meio de tantos sofrimentos, derrama Amor sobre todos e perdoa aos seus algozes: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34)
Os frutos do Seu amor não se fazem esperar: um dos ladrões por graça extraordinária de Deus reconhece Jesus, como o Messias e sente-se totalmente culpado, pecador, e num choro de arrependimento diz-lhe: Jesus lembra-te de mim quando vieres no teu Reino.
- Hoje, estarás comigo no Paraíso.
Frase de bondade, palavra consoladora, certeza do Amor de Deus. Verdadeira canonização do chamado Bom ladrão. Bom, não pelo passado que foi de ladrão e pecador. Bom porque se soube condoer de Cristo comovendo-se ao ponto de mandar calar o outro malfeitor que O insultava. Bom porque tem atitude de arrependimento e súplica humilde. E a grande promessa de Jesus faz-se ouvir como certeza de glória e de felicidade.

- Neste diálogo na cruz descobrimos a possibilidade que Jesus nos dá para que desfrutemos do Seu amor - “Jesus, lembra-te de mim…” Se formos capazes desta ousadia - de romper a nossa consciência culpável; de olhá-lo a Ele e não à nossa pobreza - de certeza ouviremos a promessa de que não escaparemos das Suas mãos.

Pai – Nosso
Pai – Nosso que estais no céu,
santificado seja o vosso nome;
venha a nós o vosso reino;
seja feita a vossa vontade
assim na terra como no céu.

O pão-nosso de cada dia nos dai hoje;
perdoai-nos as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido;
e não nos deixeis cair em tentação;
mas livrai-nos do mal.
Amen.


Estação seguinte: IV Estação
Mulier, ecce filius tuus ("Mulher, eis aí o teu filho")
Blogger: MRB
Blog: Quadradinhos Que Não Vendem

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quarta-feira, 8 de abril de 2009

A Paixão de Cristo na poesia




Na história da poesia portuguesa são muitos os autores que calcorreiam com o leitor os passos dolorosos da vida de Jesus. A sinfonia das suas palavras transporta-nos para o mistério da cruz. A inspiração de vários poetas mostra o olhar sofredor da Mãe que segura e chora o seu Filho:


«Vejo-te ainda, Mãe, de olhar parado,
Da Pedra e da tristeza, no teu canto,
Comigo ao colo, morto e nu, gelado
Embrulhado nas dobras do teu mando»
(Torga, Miguel)



«Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa…
E deixa-me sonhar a vida inteira»
(Quental, Antero de)


«Oh Virgem de Nazaré,
Oh Mãe de Jesus
Lírio aberto aos pés da cruz,
Cujas pétalas de luz
Vertem lágrimas de fé»
(Conde de Monsaraz, [Papança, António Macedo])


«Junto da cruz, que estremecia ao vê-la
Chorou, baixinho, a Mater Dolorosa:
E a terra, em volta, soluçou com ela»
(Oliveira, António Correia de)



O Sinédrio decretara a Sua morte. Nestes passos dramáticos em direcção à humilhação, Jesus prepara-se para a doação total. Os doze esperam com ânsia uma palavra do Mestre.

«Levanta as mãos ao Céu vasto e piedoso
Vara-lhe o seio tenebroso espinho
Caem gotas, de sangue precioso,
De suor, nas violetas do caminho»
(Leal, A. Gomes)


Mesmo de poetas descrentes, a beleza da sua linguagem expõe um sentimento religioso. Ao longo dos séculos, a Paixão e Morte de Cristo são fonte inspiradora da poesia. Luis de Camões – uma das almas lusitanas – tem elegias onde canta a Paixão do Filho do Homem.

«Aquele corpo tenro e delicado,
Sobre todos os santos sacrossanto,
De açoutes rigorosos flagelados»
(Camões, Luís)



O poeta limiano, Diogo Bernardes considera-se culpado daquela morte. A luminosidade das suas palavras como que formalizam um pedido de desculpas. O lirismo religioso deste poeta do século XVI é marcado pela sinceridade.


«Eu vos crucifiquei, eu vos vendi,
Eu vos neguei mil vezes, que não três
Eu fui o que esse lado vos abri!» …
«Por eles (os meus pecados), meu senhor, te vejo estar
Crucificado nesse duro lenho»
(Bernardes, Diogo)


Partindo das palavras do Evangelho de S. João (19, 1-3), o poeta da Arrábida ilustra a paixão de Jesus com a luminosidade de um místico. Frei Agostinho da Cruz assume a culpa do sofrimento e morte de Jesus.


Eu fui, eu sou Senhor, o que vos pus
Nesse duro madeiro pendurado,
Donde morreis por mim, doce Jesus»
(Cruz, Frei Agostinho)


Quando medita nas chagas de Cristo, Diogo Bernardes pede mesmo à sua alma que, por amor delas, se arrependa dos seus pecados e dê início a uma vida nova.

«Quando meus olhos nessas chagas ponho
E não me vejo em lágrimas banhado
Corrido fico, todo me envergonho»
(Bernardes, Diogo)


José Régio aborda os últimos passos de Jesus num registo diferente. Lamenta ter nascido tarde, mas considera que Ele foi crucificado pelos homens.


«Por isso choro em mim a mágoa verdadeira
De ter nascido tarde, e só te vir achar,
Feito em marfim, metal, pedra madeira,
No cimo dum altar»
……
«O Cristo, ao alto, alonga os magros braços nus
Por sobre a escuridão do rancho desolado
Que segue, ao som da marcha, o seu Jesus
Por nós crucificado»
(Régio, José)


Preso e atado à cruz, a multidão gritava: Crucifica, crucifica. A humilhação estava patente naquele rosto. André Dias explica a crueldade daquela morte. Este poeta dos séculos XIV e XV (1348-1437) coloca nas suas palavras a injustiça daquele tribunal.


«E todos bradavam com grande voz e alta:
- Crucifica! Crucifica este falso profeta
E morra sobre a cruz morte cruel e feia,
Que jamais não engane toda a nossa gente»
(Dias, André)



Depois de saber que tudo estava consumado, Jesus disse: «Tenho sede». Teve como bebida, o amargo vinagre.


«Mas tem sede o Rabi. Um, mais cruel,
uma esponja, em caniço pontiagudo,
toda em fel ensopou. – Ora, este fel
amarga mais o mestre do que tudo»
(Leal, A. Gomes)

Do alto da cruz, os seus olhos sem brilho contemplavam Jerusalém. Após ter tomado o vinagre, Jesus exclamou: «Tudo está consumado». E, inclinando a cabeça, rendeu o Espírito.

«Filhos de Cristo, consumou-se agora
O horrendo crime de Israel, na cruz.
Trémula se abre a terra; o sol descora
A igreja chora, - que morreu Jesus»
(Ribeiro, Tomás)


A noite ia tombando de hora a hora cheia de assombro e cósmica tristeza. Esta morte foi vida. Foi um rasgão no tempo.

«Tu morreste por nós na cruz da afronta
E o sangue derradeiro
Derramaste do alto do madeiro,
Jesus, filho de Deus, Deus Verdadeiro
Aos crimes do homem não lançaste a conta
Inocente cordeiro
Quando foste no alto do madeiro
Lavar com sangue o último e o primeiro»
(Garret, Almeida.)


Com a morte e ressurreição, a lanterna da vida brilha e alimenta a árvore frondosa do cristianismo.


«Meu Deus, aqui me tens aflito e retirado
Como quem deixa à porta o saco para o pão.
Enche-o do que quiseres. Estou firme e preparado.
O que for, assim seja, à tua mão
Tua vontade se faça, a minha não»
(Nemésio, Vitorino)

In "Agência Ecclesia"




terça-feira, 7 de abril de 2009

Oração


Oração é uma forma do homem se comunicar com Deus,
seja para Lhe pedir por suas necessidades, seja para glorificá-Lo e exaltá-Lo.

Em qualquer caso, a oração é um acto de humildade
e ao orar a pessoa declara seu reconhecimento e amor a Deus.



Senhor,
eu Te peço,
que a força ardente e suave do Teu amor
se apodere da minha alma
e a arranque a tudo o que está sob o céu,
a fim de que morra por amor do Teu amor,
como Tu te dignaste morrer
por amor do meu amor.

S. Francisco de Assis

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Contagem decrescente

Estamos em contagem decrescente para o inicio da nossa 7ª Peregrinação a pé até ao Santuário de Fátima.

Porque só faltam 30 dias, as guias lembram aos mais esquecidos que está na hora de tratarem dos pézinhos (evitem as unhas encravadas), de marcarem uma consulta no médico de familia (façam os chamados exames de rotina), de conversarem com o vosso pároco e de seguirem os seus conselhos.

Lembramos também aos peregrinos que ainda não iniciaram as caminhadas de preparação, que esta é altura certa para o fazerem, pois caso contrário nem os melhores ténis irão ajudar...

domingo, 5 de abril de 2009

Domingo de Ramos - Ano B



N Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

N
Faltavam dois dias para a festa da Páscoa e dos Ázimos
e os príncipes dos sacerdotes e os escribas
procuravam maneira de se apoderarem de Jesus à traição
para Lhe darem a morte.
Mas diziam:
R
«Durante a festa, não,
para que não haja algum tumulto entre o povo».
N
Jesus encontrava-Se em Betânia,
em casa de Simão o Leproso,
e, estando à mesa,
veio uma mulher que trazia um vaso de alabastro
com perfume de nardo puro de alto preço.
Partiu o vaso de alabastro
e derramou-o sobre a cabeça de Jesus.
Alguns indignaram-se e diziam entre si:
R
«Para que foi esse desperdício de perfume?
Podia vender-se por mais de duzentos denários
e dar o dinheiro aos pobres».
N
E censuravam a mulher com aspereza.
Mas Jesus disse:
J
«Deixai-a. Porque estais a importuná-la?
Ela fez uma boa acção para comigo.
Na verdade, sempre tereis os pobres convosco
e, quando quiserdes, podereis fazer-lhes bem;
Mas a Mim, nem sempre Me tereis.
Ela fez o que estava ao seu alcance:
ungiu de antemão o meu corpo para a sepultura.
Em verdade vos digo:
Onde quer que se proclamar o Evangelho, pelo mundo inteiro,
dir-se-á também em sua memória, o que ela fez».
N
Então, Judas Iscariotes, um dos Doze,
foi ter com os príncipes dos sacerdotes
para lhes entregar Jesus.
Quando o ouviram, alegraram-se
e prometeram dar-lhe dinheiro.
E ele procurava uma oportunidade para entregar Jesus.

N
No primeiro dia dos Ázimos,
em que se imolava o cordeiro pascal,
os discípulos perguntaram a Jesus:
R
«Onde queres que façamos os preparativos
para comer a Páscoa?»
N
Jesus enviou dois discípulos e disse-lhes:
J
«Ide à cidade.
Virá ao vosso encontro um homem com uma bilha de água.
Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa:
‘O Mestre pergunta: Onde está a sala,
em que hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos?’
Ele vos mostrará uma grande sala no andar superior,
alcatifada e pronta.
Preparai-nos lá o que é preciso».
N
Os discípulos partiram e foram à cidade.
Encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito
e prepararam a Páscoa.
Ao cair da tarde, chegou Jesus com os Doze.
Enquanto estavam à mesa e comiam,
Jesus disse:
J
«Em verdade vos digo:
Um de vós, que está comigo à mesa, há-de entregar-Me».
N
Eles começaram a entristecer-se e a dizer um após outro:
R
«Serei eu?»
N
Jesus respondeu-lhes:
J
«É um dos Doze, que mete comigo a mão no prato.
O Filho do homem vai partir,
como está escrito a seu respeito,
mas ai daquele por quem o Filho do homem vai ser traído!
Teria sido melhor para esse homem não ter nascido».
N
Enquanto comiam, Jesus tomou o pão,
recitou a bênção e partiu-o,
deu-o aos discípulos e disse:
J
«Tomai: isto é o meu Corpo».
N
Depois tomou um cálice, deu graças e entregou-lho.
E todos beberam dele.
Disse Jesus:
J
«Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança,
derramado pela multidão dos homens.
Em verdade vos digo:
Não voltarei a beber do fruto da videira,
até ao dia em que beberei do vinho novo no reino de Deus».
N
Cantaram os salmos e saíram para o Monte das Oliveiras.

N
Disse-lhes Jesus:
J
«Todos vós Me abandonareis, como está escrito:
‘Ferirei o pastor e dispersar-se-ão as ovelhas’.
Mas depois de ressuscitar,
irei à vossa frente para a Galileia».
N
Disse-Lhe Pedro:
R
«Embora todos te abandonem, eu não».
N
Jesus respondeu-lhe:
J
«Em verdade te digo:
Hoje, esta mesma noite, antes do galo cantar duas vezes,
três vezes Me negarás».
N
Mas Pedro continuava a insistir:
R
«Ainda que tenha de morrer contigo, não Te negarei».
N
E todos afirmaram o mesmo.
Entretanto, chegaram a uma propriedade chamada Getsémani
e Jesus disse aos seus discípulos:
J
«Ficai aqui, enquanto Eu vou orar».
N
Tomou consigo Pedro, Tiago e João
e começou a sentir pavor e angústia.
Disse-lhes então:
J
«A minha alma está numa tristeza de morte.
Ficai aqui e vigiai».
N
Adiantando-Se um pouco, caiu por terra
e orou para que, se fosse possível,
se afastasse d’Ele aquela hora.
Jesus dizia:
J
«Abba, Pai, tudo Te é possível:
afasta de Mim este cálice.
Contudo, não se faça o que Eu quero,
mas o que Tu queres».
N
Depois, foi ter com os discípulos, encontrando-os dormindo
e disse a Pedro:
J
«Simão, estás a dormir? Não pudeste vigiar uma hora?
Vigiai e orai, para não entrardes em tentação.
O espírito está pronto, mas a carne é fraca».
N
Afastou-Se de novo e orou, dizendo as mesmas palavras.
Voltou novamente e encontrou-os dormindo,
porque tinham os olhos pesados
e não sabiam que responder.
Jesus voltou pela terceira vez e disse-lhes:
J
«Dormi agora e descansai...
Chegou a hora:
o Filho do homem vai ser entregue às mãos dos pecadores.
Levantai-vos. Vamos.
Já se aproxima aquele que Me vai entregar».
N
Ainda Jesus estava a falar,
quando apareceu Judas, um dos Doze,
e com ele uma grande multidão, com espadas e varapaus,
enviada pelos príncipes dos sacerdotes,
pelos escribas e os anciãos.
O traidor tinha-lhes dado este sinal:
«Aquele que eu beijar, é esse mesmo.
Prendei-O e levai-O bem seguro».
Logo que chegou, aproximou-se de Jesus e beijou-O, dizendo:
R
«Mestre».
N
Então deitaram-Lhe as mãos e prenderam-n’O.
Um dos presentes puxou da espada
e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha.
Jesus tomou a palavra e disse-lhes:
J
«Vós saístes com espadas e varapaus para Me prender,
como se fosse um salteador.
Todos os dias Eu estava no meio de vós,
a ensinar no templo,
e não Me prendestes!
Mas é para se cumprirem as Escrituras».
N
Então os discípulos deixaram-n’O e fugiram todos.
Seguiu-O um jovem, envolto apenas num lençol.
Agarraram-no, mas ele, largando o lençol, fugiu nu.

N
Levaram então Jesus à presença do sumo sacerdote,
onde se reuniram todos os príncipes dos sacerdotes,
os anciãos e os escribas.
Pedro, que O seguira de longe,
até ao interior do palácio do sumo sacerdote,
estava sentado com os guardas, a aquecer-se ao lume.
Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio
procuravam um testemunho contra Jesus
para Lhe dar a morte,
mas não o encontravam.
Muitos testemunhavam falsamente contra Ele,
mas os seus depoimentos não eram concordes.
Levantaram-se então alguns,
para proferir contra Ele este falso testemunho:
R
«Ouvimo-l’O dizer:
‘Destruirei este templo feito pelos homens
e em três dias construirei outro
que não será feito pelos homens’».
N
Mas nem assim o depoimento deles era concorde.
Então o sumo sacerdote levantou-se no meio de todos
e perguntou a Jesus:
R
«Não respondes nada ao que eles depõem contra Ti?»
N
Mas Jesus continuava calado e nada respondeu.
O sumo sacerdote voltou a interrogá-l’O:
R
«És Tu o Messias, Filho do Deus Bendito?»
N
Jesus respondeu:
J
«Eu Sou. E vós vereis o Filho do homem
sentado à direita do Todo-poderoso
vir sobre as nuvens do céu».
N
O sumo sacerdote rasgou as vestes e disse:
R
«Que necessidade temos ainda de testemunhas?
Ouvistes a blasfémia. Que vos parece?»
N
Todos sentenciaram que Jesus era réu de morte.
Depois, alguns começaram a cuspir-Lhe,
a tapar-Lhe o rosto com um véu
e a dar-Lhe punhadas, dizendo:
R
«Adivinha».
N
E os guardas davam-Lhe bofetadas.

N
Pedro estava em baixo, no pátio,
quando chegou uma das criadas do sumo sacerdote.
Ao vê-lo a aquecer-se, olhou-o de frente e disse-lhe:
R
«Tu também estavas com Jesus, o Nazareno».
N
Mas ele negou:
R
«Não sei nem entendo o que dizes».
N
Depois saiu para o vestíbulo e o galo cantou.
A criada, vendo-o de novo, começou a dizer aos presentes:
R
«Este é um deles».
N
Mas ele negou segunda vez.
Pouco depois, os presentes diziam também a Pedro:
R
«Na verdade, tu és deles, pois também és galileu».
N
Mas ele começou a dizer imprecações e a jurar:
R
«Não conheço esse homem de quem falais».
N
E logo o galo cantou pela segunda vez.
Então Pedro lembrou-se do que Jesus lhe tinha dito:
«Antes do galo cantar duas vezes,
três vezes Me negarás».
E desatou a chorar.

N
Logo de manhã,
os príncipes dos sacerdotes reuniram-se em conselho,
com os anciãos e os escribas e todo o Sinédrio.
Depois de terem manietado Jesus,
foram entregá-l’O a Pilatos.
Pilatos perguntou-Lhe:
R
«Tu és o Rei dos judeus?»
N
Jesus respondeu:
J
«É como dizes».
N
E os príncipes dos sacerdotes
faziam muitas acusações contra Ele.
Pilatos interrogou-O de novo:
R
«Não respondes nada? Vê de quantas coisas Te acusam».
N
Mas Jesus nada respondeu,
de modo que Pilatos estava admirado.

N
Pela festa da Páscoa,
Pilatos costumava soltar-lhes um preso à sua escolha.
Havia um, chamado Barrabás, preso com os insurrectos,
que numa revolta tinham cometido um assassínio.
A multidão, subindo,
começou a pedir o que era costume conceder-lhes.
Pilatos respondeu:
R
«Quereis que vos solte o Rei dos judeus?»
N
Ele sabia que os príncipes dos sacerdotes
O tinham entregado por inveja.
Entretanto, os príncipes dos sacerdotes incitaram a multidão
a pedir que lhes soltasse antes Barrabás.
Pilatos, tomando de novo a palavra, perguntou-lhes:
R
«Então, que hei-de fazer d’Aquele
que chamais o Rei dos judeus?»
N
Eles gritaram de novo:
R
«Crucifica-O!».
N
Pilatos insistiu:
R
«Que mal fez Ele?»
N
Mas eles gritaram ainda mais:
R
«Crucifica-O!».
N
Então Pilatos, querendo contentar a multidão,
soltou-lhes Barrabás
e, depois de ter mandado açoitar Jesus,
entregou-O para ser crucificado.
Os soldados levaram-n’O para dentro do palácio,
que era o pretório,
e convocaram toda a coorte.
Revestiram-n’O com um mando de púrpura
e puseram-Lhe na cabeça uma coroa de espinhos
que haviam tecido.
Depois começaram a saudá-l’O:
R
«Salvé, Rei dos judeus!»
N
Batiam-lhe na cabeça com uma cana, cuspiam-Lhe
e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante d’Ele.
Depois de O terem escarnecido,
tiraram-Lhe o manto de púrpura
e vestiram-Lhe as suas roupas.
Em seguida levaram-n’O dali para O crucificarem.

N
Requisitaram, para Lhe levar a cruz,
um homem que passava, vindo do campo,
Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo.
E levaram Jesus ao lugar do Gólgota,
quer dizer, lugar do Calvário.
Queriam dar-Lhe vinho misturado com mirra,
mas Ele não o quis beber.
Depois crucificaram-n’O.
E repartiram entre si as suas vestes,
tirando-as à sorte, para verem o que levaria cada um.
Eram nove horas da manhã quando O crucificaram.
O letreiro que indicava a causa da condenação tinha escrito:
«Rei dos Judeus».
Crucificaram com Ele dois salteadores,
um à direita e outro à esquerda.
Os que passavam insultavam-n’O
e abanavam a cabeça, dizendo:
R
«Tu que destruías o templo e o reedificavas em três dias,
salva-Te a Ti mesmo e desce da cruz».
N
Os príncipes dos sacerdotes e os escribas
troçavam uns com os outros, dizendo:
R
«Salvou os outros e não pode salvar-se a Si mesmo!
Esse Messias, o Rei de Israel, desça agora da cruz,
para nós vermos e acreditarmos».
N
Até os que estavam crucificados com ele o injuriavam.
Quando chegou o meio-dia,
as trevas envolveram toda a terra até às três horas da tarde.
E às três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte:
J
«Eloí, Eloí, lamá sabachtháni?»
N
que quer dizer:
«Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?»
N
Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram:
R
«Está a chamar por Elias».
N
Alguém correu a embeber uma esponja em vinagre
e, pondo-a na ponta duma cana, deu-Lhe a beber e disse:
R
«Deixa ver se Elias vem tirá-l’O dali».
N
Então Jesus, soltando um grande brado, expirou.

N
O véu do templo rasgou-se em duas partes de alto a baixo.
O centurião que estava em frente de Jesus,
ao vê-l’O expirar daquela maneira, exclamou:
R
«Na verdade, este homem era Filho de Deus».
N
Estavam também ali umas mulheres a observar de longe,
entre elas Maria Madalena,
Maria, mãe de Tiago e de José, e Salomé,
que acompanhavam e serviam Jesus,
quando estava na Galileia,
e muitas outras que tinham subido com ele a Jerusalém.
Ao cair da tarde
– visto ser a Preparação, isto é, a véspera do sábado –
José de Arimateia, ilustre membro do Sinédrio,
que também esperava o reino de Deus,
foi corajosamente à presença de Pilatos
e pediu-lhe o corpo de Jesus.
Pilatos ficou admirado de Ele já estar morto
e, mandando chamar o centurião,
ordenou que o corpo fosse entregue e José.
José comprou um lençol,
desceu o corpo de Jesus e envolveu-O no lençol;
depois depositou-O num sepulcro escavado na rocha
e rolou uma pedra para a entrada do sepulcro.
Entretanto, Maria Madalena e Maria, mãe de José,
observavam onde Jesus tinha sido depositado.

Mc 14,1 - 15,47

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Quaresma: tempo de reconciliação

"Hoje, encontramos muitas pessoas que afirmam não sentirem necessidade de confessar os pecados ao sacerdote, pois relacionam-se directamente com Deus.

Sabemos todos que Jesus deixou à Igreja o poder de perdoar os pecados, como também de os reter. "Recebei o Espírito Santo; àqueles a quem perdoardes os pecados serão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes serão retidos" (Jo 20, 22-23).

Este sacramento chama-se sacramento da Penitência, da Reconciliação, do Perdão, da Confissão, da Conversão. (...)

Este sacramento é um sacramento de cura juntamente com o da unção dos doentes. Cura-nos dos pecados, fortalece a graça divina em nós, dá-nos um coração de paz, abre-nos caminhos de humildade e de fé.
Confessar os pecados ao sacerdote é confessar-se a Deus, mediante a Igreja, exprimindo a nossa condição de pecadores perante o representante de Deus. (...)
O sacramento robustece-nos e contribui para uma vida de santidade. (...) Não nos devemos limitar à confissão anual, ou duas ou três vezes ao ano.
A fidelidade à confissão sacramental é garantia de uma vida cristã autêntica, de uma vontade de purificação e de crescimento no amor.
O penitente deve confessar, antes de mais, os pecados graves. "Devem-se confessar todos os pecados graves ainda não confessados, dos quais nos recordamos depois dum diligente exame de consciência. A confissão dos pecados graves é o único modo ordinário para obter o perdão" (Compêndio, n.º 304). Os pecados veniais devem ser também objecto de confissão, pois ajuda-nos a formar uma consciência recta e a combater contra os vícios, para que assim o Espírito Santo nos fortifique (cf. Compêndio, n.º 306).

O penitente faz a confissão dos seus pecados de forma individual, recebendo a absolvição, se estiver verdadeiramente arrependido, juntamente com a absolvição. Não são permitidas absolvições comunitárias (ou confissões comunitárias ou as chamadas "missas do perdão") em que o sacerdote absolve todos os fiéis dos seus pecados. A absolvição simultânea a vários penitentes sem confissão individual é admitida pela Igreja em situações muito graves, por exemplo, em perigo de morte (guerra, deslocações), e outras."

In Revista “Stella”


Peregrino: reconciliemo-nos, confessemo-nos!

quinta-feira, 2 de abril de 2009


quarta-feira, 1 de abril de 2009

A Bíblia e o Telemóvel – Semelhanças e coincidências



O que aconteceria se todos tratássemos a Bíblia da mesma forma que tratamos o Telemóvel?
Se carregássemos sempre a Bíblia no bolso ou na carteira como fazemos com o Telemóvel?
Se várias vezes ao longo do dia olhássemos para ela, como olhamos para o Telemóvel?
Se voltássemos para trás para a apanhar quando a esquecemos em casa ou no local de trabalho, como fazemos com o Telemóvel?
E se a usássemos para enviar mensagens para os nossos amigos?
E se a tratássemos como se não pudéssemos viver sem ela?
E se a oferecêssemos às crianças?
E se a usássemos quando viajamos?
E se lançássemos mão dela em todos os casos de emergência?

Ao contrário do Telemóvel a Bíblia não perde a rede…Funciona em todos os lugares!
A Bíblia não precisa de ter saldo porque Jesus já pagou o preço total da nossa salvação.
A Bíblia não deixa as chamadas a meio por falta de saldo ou bateria. Funciona sempre!

Utilizemo-la!

In "A rede na rede.com"

terça-feira, 31 de março de 2009

PELA TUA MÃO…

Pela tua mão, continuo!
Firme e confiante.
Sorvo cada instante, como um sopro de vida.
Sou alma incontida,
que te segue cegamente serena e mansa,
plena de confiança em ti, Virgem Mãe.
E ainda que sinta dor…
Mãe eu te entrego:
meus pés torturados pelo caminho
meus olhos molhados de emoção
meu coração cravado de espinhos
uns são meus, outros não!
Entrego-te:
O que não evito
as provações que não ultrapasso
entrego-te o que omito
para seguir ao teu compasso.
Sei que entendes cada falha.
Teu amor é acendalha
que põe fogo no meu peito,
por isso continuo, confio e não recuo.
Tua mão se estendeu…
E eu, disse: “Sim aceito!”

Sines,31 de Março de 2009
Dulce Gomes


Vamos caminhando e terço na mão
Rezando com MARIA
Levando JESUS no coração!


segunda-feira, 30 de março de 2009

Para interiorzar...



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Caminhar do Sul no Mundo