domingo, 4 de outubro de 2009

São Francisco de Assis


São Francisco nasceu em Assis Itália, no ano de 1182.
Seu pai era um rico comerciante de tecidos, o que permitiu a Francisco ter uma infância e uma juventude de fartura e a possibilidade de continuar o comércio, como era desejo de seu pai.
Quando jovem, Francisco sempre procurou a realização de grandes ideais, destacando-se junto aos amigos com muito entusiasmo. O dinheiro do pai ajudava os seus projectos, vestia as melhores roupas, dispunha de vinho e comida para promover festas entre amigos. Mas ainda assim procurava uma causa, um motivo forte que pudesse defender.

Devido ás desigualdades sociais da época, ocorre uma revolta do povo contra os nobres da cidade de Assis. Francisco, assim como muitos jovens tomaram partido na causa social do povo. Em socorro dos nobres, Perugia, uma cidade vizinha mandou um exército bem preparado para os defender. Numa luta sangrenta, Francisco foi preso (assim como os companheiros jovens de Assis) e dessa forma, permaneceu preso por um ano.
Depois do seu pai ter pago a sua libertação, volta a Assis, doente, enfraquecido e sem projecto de vida, empenhando-se num outro ideal.

A Igreja procurava voluntários para as suas lutas em defesa dos territórios. Francisco, inspirado nas histórias de heróis e valentes cavaleiros, inscreveu-se e preparou-se com a melhor armadura de cavaleiro.
Após a partida, na primeira noite em que o exército se reuniu junto à cidade de Espoleto, Francisco, novamente com febre e doente ouviu Deus que lhe perguntou:
"Francisco, a quem deves servir, ao Senhor ou ao servo?
Ao Senhor respondeu Francisco!
Então, por que trocas o Senhor pelo Servo?
Francisco, compreendeu que deveria servir a Deus. Abandonou o seu ideal de cavaleiro e retornou a Assis, tendo aí sido humilhado.

Francisco transformou-se aos poucos. Passava muitas horas sozinho, procurava lugares isolados no campo e quando encontrava um mendigo, doava o que dispunha no momento. Aos poucos foi-se habituando à oração. Na sua conversão, sofria as dúvidas e fraquezas humanas.
Num momento difícil da sua vida, Francisco encontrou-se no caminho com um leproso, e diante do horror das feridas e do odor, pensou em fugir. Movido por um grande amor, venceu o obstáculo, voltou-se para o leproso, abraçou-o e beijou-o, reconhecendo nele um irmão.

Numa outra ocasião também importante, achava-se em oração na Igreja de São Damião - uma capelinha quase destruída "olhando para o crucifixo e examinando as paredes caídas em seu redor, compreendeu o pedido de Deus. "Francisco, reconstrói a minha Igreja!"

Para empreender o projecto de reconstruir a Igreja, Francisco retirou recursos do pai. Este, já enfurecido pelas atitudes de Francisco e prevendo o risco de perder o património nas mãos do filho maluco, abriu um processo perante o Bispo para deserdá-lo.

Diante das acusações do pai, na frente do Bispo, e de todos, Francisco tirou as próprias vestes, e nu, devolveu-as ao pai dizendo - "Daqui em diante tenho somente um pai, o Pai nosso do céu! "

Francisco passou a reconstruir as igrejas caídas, com o seu próprio trabalho, assentando pedras, comendo do que lhe davam na mendicância da rua, e adoptou como vestes trapos de eremita.

Depois que reconstruiu a Igreja de São Damião, restaurou também uma capela próxima dos muros de Assis e uma outra, a Igreja de Santa Maria dos Anjos. Nesta, São Francisco decidiu permanecer, montando junto dela uma cabana para dormir.

Com o tempo São Francisco compreendeu que deveria reconstruir a Igreja dos fieis e não somente as Igrejas de pedra.

Durante uma missa na leitura do Evangelho ouve e compreende que os discípulos de Jesus não devem possuir ouro, nem prata, nem duas túnicas, nem sandálias... que devem pregar a paz e a conversão.
No dia seguinte os habitantes de Assis viram-no chegar, não mais com roupas de eremita mas com uma túnica simples, uma corda amarrada à cintura e os pés descalços.
A todos que encontrava na caminho dizia. A paz esteja com convosco!

São Francisco passou a falar da vida de Evangelho nos lugares públicos de Assis. Falava e agia com tamanha fé, que o povo que antes o humilhara, agora ouvia-o com respeito e admiração.

E assim, o bom Deus, quis que São Francisco tivesse irmãos de conversão. Aos poucos as suas palavras foram tocando os corações - o primeiro foi Bernardo um nobre e rico amigo seu; depois Pedro Cattani. Estes, agindo conforme diz o evangelho, doaram tudo o que tinham aos pobres..

Quando o grupo chegou a 12 irmãos, São Francisco decidiu ir até Roma e pedir ao Papa autorização para viverem a forma mais pura do Evangelho, conforme o desejo e a escolha que fizeram.

O Papa achou que seria muito duro para eles esse modo de viver, porém deu permissão e também autorizou que eles pudessem pregar. Durante esse período de visita, o Papa teve um sinal profético e reconheceu em Francisco, o homem que em seu sonho segurava a Igreja como uma coluna.

Muitos outros Irmãos foram-se juntando ao grupo, desejando viver como Francisco.
Os frades fizeram as suas habitações em cabanas em redor da Igreja de S. Maria. Dividiam as actividades entre oração, ajuda aos pobres, cuidados aos leprosos, e pregações nas cidades, também se dedicavam às actividades missionárias, indo 2 a 2 a lugares distantes e pagãos; eram alegres, pacíficos, amigo dos pobres.

Uma grande preciosidade para São Francisco, foi a criação da Ordem dos Frades Menores que veio de uma jovem, de família nobre de Assis, chamada Clara.
Clara procurou Francisco pedindo para viver o mesmo modo de vida, segundo o Evangelho. São Francisco ponderou sobre as duras condições a que ela se estaria submetendo, mas recebeu-a com grande alegria.
Clara, depois de se alojar temporariamente num convento Beneditino, foi morar no conventinho ao lado da Igreja de São Damião, (que Francisco tinha reconstruído). Clara ajustou o modo de vida dos Frades, para mulheres e recebeu, por sua vez, muitas companheiras de conversão.

Muitos Cristãos ouvindo São Francisco, decidiram seguir o seu exemplo e ensinamento, alguns pediam conselhos, e São Francisco orientava-os conforme o estado de vida de cada um. Para uma mulher e seu marido, que o procuraram, São Francisco recomendou servir ao Senhor permanecendo em casa.


São Francisco assistiu ao crescimento da Ordem, que se espalhou por diversas partes do mundo. Embora a velhice ainda não lhe tivesse chegado, o seu corpo frágil debilitou-se, agravado por um problema na visão que o deixou quase cego.

Em certos períodos São Francisco isolava-se para orações e jejum. Numa dessas ocasiões, num monte chamado Alverne, de rochas gigantescas e escarpadas, o bom Deus quis que ele, que tanto procurou para se assemelhar a Jesus, tivesse igualmente as feridas da crucifixão. Com muita dor mas intensa alegria, por ter as marcas de Jesus no próprio corpo, São Francisco recebeu as feridas que se mantiveram vivas até o fim de sua vida, 2 anos depois.

Quando desceu do monte, ele que sempre quisera caminhar a pé, deixou-se montar num burro, tal era a sua debilidade física. Quando se aproximava das cidades, uma multidão já o aguardava - o povo, principalmente os pobres e doentes, que desejavam ir ao encontro de São Francisco.

Pouco antes de morrer, de passagem por São Damião para despedir-se de Clara e suas irmãs, o seu estado de saúde agrava-se e ele tivera de ali passar a noite, numa cabana, sob condições de intenso frio.
Pela manhã São Francisco cantava um cântico que compora em louvor a Deus, e que chamara de Irmão, o sol, as estrelas, a lua, a terra, o vento e todas as criaturas.

Numa cabana junto à Porciúncula, no anoitecer do dia 3 de Outubro de 1226, São Francisco pede aos irmãos que o dispam e o coloquem nu no chão, sobre a terra. Recitando o Salmo 142, que os irmão acompanhavam lentamente, São Francisco morreu cantando.

1 comentário:

Anónimo disse...

Quanta admiração tenho por SÃO FRANCISCO de ASSIS, pelos valores
e trabalho que defendeu...
quanta PAZ senti ao ler esta postagem...
OBRIGADA
UM ABRAÇO EM CRISTO
Isabel Gomeslantict

Caminhar do Sul no Mundo